
Confesso que de duas rodas só me lembro da chatice que era estar em Macau na altura do Grande Prémio, evento que anualmente queima litros de gasolina e desgraça a paciência de quem mora num raio de menos de 1km do circuito. É um bocado como o Novo Ano Chinês: da primeira vez acha-se graça mas na segunda já se quer estar longe!
Mas quanto a motas Macau tem mais alguma coisa: milhares e milhares de scooters (chinesas, claro) que invadem as ruas e arruamentos, da Travessa das Bruxas à Rua da Felicidade, e servem para tudo, desde carregar patos a veículo de vinganças mafiosas… isto antes de 1999, que agora Kilates só de ouro bem amarelo.
Sim, que Macau não é só árvre di pataca, como lembrava Adéno seu doci papiáçam di Macau (tive hoje a triste notícia da recentissima morte de Henrique Senna Fernandes e autor do romance Amor e Dedinhos de Pé)…
Bem, vamos ver, motoreta, lambreta, scooter, tin tàn che (em cantonense...), vespa…vespa…Macau…já sei, lembra-me Abelha da China, o primeiro jornal de estrutura Ocidental a ser publicado na China, sim a tal de Gaspar (esta foi um bocado forçada, mas até nem calhou mal!).
Claro que poderia falar nos Riquechós, embora aqui as rodas sejam 3 e motores ainda não existam, mas como agora apenas servem para turistas nostálgicos passearem as poucas patacas que escaparam à sofreguidão do casino, enquanto desfiam shes e tches "mandarinenses", também não será por aí que as lembranças abundem. Longe vão os tempos em que Camilo Pessanha voltava a casa depois de ter sonhado com a distante amada Ana de Castro Osório, reclinado no estofo do riquechó, bem cheio de substancias que ajudavam ao devaneio!
Que mais? Bicicletas? Isso é na Mãe China, não neste Ou Mun onde a política "um pais dois sistemas" aguentou e em muitos casos desenvolveu alguns dos aspectos positivos da presença portuguesa, como a boa rede de transportes.
Em resumo: embora tenha tocado aqui e ali no tema, as duas rodas para mim são passarinhos quadrupedes...
JC
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